Trechos do artigo da jornalista Milagros Pérez Olivva, "Defensora del lector" de El País (18).
1. O escritor e jornalista Furio Colombo fala de um tipo de informação na qual a fonte tem tal proeminência que anula a distância crítica do jornalismo. Denomina esse tipo de informação de "notícia de acatamento", que é aquela em que o jornalista e, portanto o veículo, assumem como próprios os pontos de vista da fonte. A notícia é apresentada de forma acrítica e em sintonia com o interesse objetivo da fonte. O risco de incorrer em "acatamento" é especialmente alto naquelas situações em que se produz uma assimetria entre a fonte e o jornalista, quando a fonte é única, ou seja, quando se maneja uma informação importante que não é possível, ou é muito difícil, obter por outras fontes.
2. É o caso, por exemplo, do advogado da parte que filtra dados da instrução que lhes são favoráveis. Os jornalistas de tribunais lidam com esta assimetria da que se derivam muitos problemas. Um deles é a vulneração da presunção de inocência. O "Livro de Estilo" de El País, estabelece que as manchetes devem responder fielmente à informação e que jamais devem estabelecer conclusões que não façam parte do texto. Nem sempre ocorre assim. Com certa frequência aparecem manchetes que afirmam como fatos incontroversos o que, naquele momento, são só conclusões da investigação policial.
3. O último ano tem sido pródigo em assuntos policiais. Uma análise do tratamento dispensado a estas questões revela uma notável confusão nos critérios, para se dar destaque. O leitor pode encontrar-se com manchetes distanciadas, puramente descritivas e fatuais, ao lado de outras taxativas que assumem como própria a versão policial dos fatos. Creio que o jornal deve manter distancia e evitar adotar como próprias as conclusões da investigação policial. Deve-se dar ao leitor os elementos que lhe permitam interpretar corretamente a informação, em cada momento do processo de instrução.